quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Do Partenon para o Clube do Povo

 A história de Sandro Farias no Internacional começou em 1998, quando ele se elegeu conselheiro – então com apenas 29 anos. Mas a relação de Sandro, hoje com 41, com o Inter remonta a uma época em que Valdomiro Vaz Franco vestia a camisa 7 e desfilava pela ponta-direita do Beira-Rio.
Filho de pais catarinenses, Sandro cresceu no bairro Partenon, em Porto Alegre – “um reduto de colorados”, diz ele – e desde cedo bebeu da fonte que transformava vizinhos em apaixonados pelo vermelho e branco. Um deles tinha uma padaria e usava uma Kombi para transportar mercadorias. Aos domingos, em dia de jogo no Gigante, o vizinho padeiro dava um tempo nas entregas e oferecia carona para a gurizada chegar ao estádio. Sujo de farelo de pão, Sandro era um dos jovens torcedores que chegava à Padre Cacique direto do Partenon para assistir clássicos como Inter x Palmeiras, pelas semi-finais do Brasileiro de 1979. “Na grande final daquele ano, meu pai não deixou ir e me cortou os naipes. Chorei”, relembra Sandro.
O guri do Partenon, que adorava jogar futebol como centroavante (foto) cresceu numa época de supremacia colorada. O candidato recorda seu primeiro contato com a rivalidade Gre-Nal. Foi somente em 1977, quando o clube da Azenha levantou a taça do Campeonato Gaúcho, quebrando a sequência de oito títulos seguidos do Inter. Sandro tinha oito anos. No ano seguinte, já absorvido pela paixão colorada, o garoto aguardou com ansiedade o Gre-Nal que decidiu o Gauchão de 1978. “Não dormi na noite anterior”. Valdomiro marcou dois gols e garantiu o título. Daí em diante, o camisa 7 se tornou o grande ídolo colorado na galeria de recordações do candidato do Convergência. “Não conseguia imaginar o Inter sem o Valdomiro”, relembra.
Em 1980, Sandro estava entre os milhares de colorados decepcionados com o primeiro jogo da final da Libertadores, contra o Nacional de Montevidéu. Daí em diante, assistiu da arquibancada inferior à década de fracassos do Inter. As visitas ao estádio se tornaram rotineiras com a adolescência, sempre pelos portões 4 e 5, fazendo a tradicional migração do intervalo do jogo, em busca da melhor posição para ver os gols do ataque colorado. Gols que não saíram nos anos 80 e levaram à frustração da torcida, forçando uma geração de colorados a abandonar o estádio.
Mas alguns desses torcedores – como Sandro – preferiram se envolver na política para ajudar a tirar o clube da má fase. O candidato começou a trocar palavras com militantes do grupo InterAção, que entregavam um jornal próprio nos portões do Beira-Rio. Um dia, Sandro escreveu uma carta para o jornal e, a partir daí, passou a viver a realidade política colorada. “Na época, só queria que o Inter contratasse uns jogadores bons e voltasse a ganhar”, diverte-se.
Em 1995, no jogo seguinte ao bicampeonato da América pelo rival, Sandro foi ao Beira-Rio e viu 50 mil colorados mostrando que, apesar das conquistas da parte azul do Estado, o Inter seguia vivo no coração da torcida. E precisava reagir. “Ali pude ver que o exército é forte”, relembra. No ano seguinte, Sandro já estava envolvido com as eleições do clube.
Além de torcer pelos 11 de vermelho, Sandro se confunde com o espírito democrático do clube, pilar fundamental da plataforma do Convergência. “Só no Inter um filho de catarina do Partenon, que não conhecia ninguém, pode virar alternativa para presidir o clube”, afirma.
 
Com 10 meses, dando os primeiros passos como colorado na casa da avó, a Dona Leoni (1970)
Aos nove anos de idade, no habitual futebol com amigos e primos. Até hoje, Sandro gosta de jogar como centroavante (1978)

Durante um treino do Inter, acompanhado do afilhado Lucas e do primo Alex (1999)

Com os amigos Walter Vasquez e Márcio Mazzola, durante uma partida do Campeonato Brasileiro (1998)
Com o hoje candidato a vice-presidente Arthur Caleffi, torcendo pelo Inter em pleno Pinheirão (PR), durante uma partida contra o Paraná Clube (1999).