quarta-feira, 17 de julho de 2013

Falcão fala para o Convergência



O movimento Convergência Colorada recebeu na noite de segunda-feira, 15, Paulo Roberto Falcão para ouvir o que pensa o hoje treinador de futebol, mas eterno ídolo colorado. Falcão falou para uma plateia de aproximadamente cem pessoas sobre como entende que deve ser a estrutura de um departamento de futebol, fez uma análise tática sobre os principais times da Europa e compartilhou suas experiências de seus tempos de jogador, de sua última passagem como treinador do Inter e também do Bahia. Após sua apresentação, respondeu a questões, não se furtando de comentar nenhuma delas, inclusive e sobre a atual situação do Clube.

Ser treinador é o atual foco de Paulo Roberto Falcão. E o mesmo comprometimento que se via em campo daquele camisa 5, desde que ele saiu da casamata do Beira-Rio para substituir Tovar determinado na marcação de Dirceu Lopes do Cruzeiro do início dos anos 70 até o já consagrado e vendido para a Roma e que mesmo assim entrou em campo com a mesma vontade de ganhar contra o Nacional do Uruguai na final da Libertadores de 1980, ele empenha nisso. Falcão estuda, busca atualização. Ele conta que em passagem pela Europa buscou conversar com diversos técnicos e suas comissões. Cita Cesare Prandelli, atual técnico da Seleção da Itália, José Mourinho, de volta ao Chelsea, além do ex-treinador Arrigo Sacchi, que também comandou a seleção italiana e foi o responsável por montar um dos grandes times do Milan, com os holandeses Van Basten e Gullit. Conversou também com colegas brasileiros, como o treinador da Seleção, Luis Felipe Scolari. Falcão perguntava a eles sobre o que mudou no futebol, no que se evoluiu tecnicamente e taticamente.

"Mourinho tem uma curiosidade absurda sobre o futebol brasileiro".

Falcão conta que o desafio de treinar um time é que não basta conhecer, tem que ter capacidade didática e de liderança para assim ter o reconhecimento e a credibilidade junto a seus jogadores. O lado emocional também influencia e ele lembra o trabalho que foi feito no Inter de preparação do jogo de volta da final do Gauchão de 2011 em que era preciso reverter uma diferença de 2 gols. Na sua opinião, treinador não tem que ter comando de vestiário sozinho, é importante a força dele junto da atuação de uma comissão técnica, em que a afinidade entre todos é fundamental. Também é categórico em afirmar que a avaliação de jogador é atribuição do treinador com envolvimento do executivo de futebol para contratação e dos profissionais da base para quem deve subir ao grupo principal. Seu entendimento é de que o grupo de jogadores precisa ser enxuto e com reservas imediatos qualificados. Acha exagerado grupos com 32 jogadores e que esse excesso dificulta o treino individualizado. Um grupo com 23 jogadores, sendo de 16 a 18 com condições de disputar titularidade, seria o suficiente. Desde que se tenha também trabalho de base, em que os atletas cheguem ao profissional com domínio de fundamentos e cultura tática.

"Não tem como fazer um treino de qualidade com 32 jogadores". 

Com a imagem projetada de um campo e jogadores dispostos taticamente, Falcão demonstra a dinâmica com a naturalidade de quem já esteve atuando dentro das quatro linhas, por anos observando do alto como comentarista e agora orientando como treinador. Ele reconhece que a realidade brasileira para a maioria dos clubes ainda é a de formação de um coletivo com os jogadores que se tem e que isto define o sistema de jogo. Porém defende que jogando com times de mesmo nível não se deve mudar a convicção conforme o adversário, é preciso seguir com a sua característica.

"Gosto de time organizado, cada um sabendo sua função. Eu entendo futebol assim".

Ao falar de sistema tático, demostra como vinham jogando na última temporada Barcelona (4-3-3), Bayern (4-2-3-1) e Juventus (3-5-2). Ressalta que o importante é identificar como se organiza a saída de bola e ilustra movimentações como a do Barcelona que do 4-3-3 alterna para um 4-5-1 quando se defende e marca a saída do adversário sob pressão. Do Bayern, ressalta a movimentação de meias com pé trocado fechando no centro com o atacante de referência, enquanto volantes hábeis sabem sair com a bola. Da Juventus, destaca a predileção dos italianos pela organização defensiva. Lembra que não é acumulando volantes que se monta um time defensivo. Segundo Falcão, o segredo está na compactação e no equilíbrio. Em sua palestra, lembrou de sua experiência com o 4-4-2 em linha e também dos questionamento de dirigentes em certas oportunidades de que o time estava muito "faceiro". E lamenta que haja interferência neste sentido. Para ele, outro problema é ser suscetível à pressões da imprensa e redes sociais. Basear-se nesses termômetros demonstra falta de convicção, salientando que convicção é diferente de teimosia.

"Política faz parte, mas não pode entrar em campo".

"O resultado da final da Libertadores de 1980 foi injusto com aquele time. Nem sempre existe justiça no futebol."


Ao final da palestra, Falcão recebeu do coordenador do movimento, Fabrício Berto, uma cópia do Plano de Gestão do Convergência Colorada. Buscando a qualificação de seus integrantes e a promoção de debates entre os colorados, as palestras temáticas do Convergência Colorada abordam temas de interesse à gestão de futebol. Entre os eventos realizados já participaram nomes como João Paulo Medina, Fernando Ferreira (Pluri Consultoria), Francisco Noveletto (FGF), o cineasta Giba Assis Brasil, o contador Bolívar Charneski, o advogado Daniel Cravo, o preparador físico Élio Carravetta, o treinador Cláudio Duarte e o jornalista Kenny Braga.